Post

A colunista Sabrina Fernandes detalha como a nova etapa do escândalo “Bolsomaster” revela o quão promíscua é a relação entre os ultra-ricos brasileiros e a extrema direita.

A direita brasileira conseguiu inserir no senso comum que a esquerda rouba e é corrupta. Claro que também há casos de corrupção na esquerda, mas a blindagem que a direita construiu para si não passa de uma narrativa cada vez mais frágil que esconde o quão enraizada está a corrupção no seu meio.

A direita deturpa seu histórico de corrupção. A começar pela ilusão de que, durante a ditadura militar, não havia corrupção. Popularmente, a direita propaga que os militares eram (ou ainda são) moralmente idôneos, incapazes de roubar, e que seu único interesse sempre foi zelar por ordem e progresso.

Neoliberais amam argumentar que a esquerda prefere um “estado gigantesco" para facilitar a apropriação de recursos, mas, na verdade, a maioria dos neoliberais gosta do estado, desde que seja reduzido à sua função de facilitar o lucro e a concentração de renda.

5 reposts47 likes

Mecanismos de investigação e transparência democrática são rechaçados, frequentemente atribuindo participação social a “populismo”. Estado de bem-estar social? Estado que garante justiça fiscal? Nada disso é bem-vindo para a direita. O que sobra é o aparato do estado servindo à iniciativa privada.

Dessa forma, vai se aprofundando e se normalizando uma parceria entre as instituições estatais e grandes empresários que passa sem questionamentos, a não ser quando grandes escândalos de corrupção, como o Bolsomaster, são revelados.

“Para combater a corrupção, não é suficiente exigir transparência institucional e autonomia investigativa. Ela cresce porque o acúmulo de poder e de capital que os corruptos buscam é permitido e incentivado na sociedade capitalista; é, na verdade, a razão de ser do capitalismo”. Sabrina Fernandes